Autismo ou Transtorno do Espectro Autista

Eu
sei… meu mundo é igual ao seu, porém você deve saber que eu o enxergo
diferente de você. O mundo me assusta, as pessoas me assustam, os
acontecimentos me assustam. Preciso para isso, da sua compreensão, do seu
carinho e do seu amor!
Christiane
Junqueira

Seguindo com o tema sobre autismo, que como já
foi visto anteriormente, trata-se de uma síndrome(*)
definida por um grupo de desordens complexas do desenvolvimento de cérebro, a
qual trata-se de uma condição permanente, aonde a criança nasce com autismo e torna-se
um adulto com autismo, neste segundo momento falaremos sobre o diagnóstico e o
tratamento.


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Diagnóstico
de autismo

Por tratar-se de uma síndrome(*) que afeta diretamente o comportamento, não
existem testes laboratoriais ou de neuro-imagem específicos para diagnosticar o
autismo.
A
criança começa a apresentar comportamentos característicos nos primeiros meses
de vida, uma vez que não mantêm contato visual efetivo e não olham quando
você chama. Por volta dos 12 meses, elas não apontam com o dedinho e o interesse
é maior por objetos do que por pessoas. Quando os pais fazem brincadeiras de
esconder, sorrir, bater palmas, por exemplo, ao contrário da maioria das
crianças, elas podem não demonstrar interesse.
Através da avaliação clínica, é possível
observar indícios bastante fortes de autismo por volta dos 18 meses mas
raramente o diagnóstico é conclusivo antes dos 24 meses. A idade média mais
frequente é superior aos 30 meses.
A AMA – Associação de Amigos do Autista, alerta
que há diferentes graus de autismo e que existem instituições, como a própria
AMA, especializadas com intervenções adequadas a cada tipo ou grau de
comprometimento e no caso da AMA, as intervenções se estendem as crianças com
atraso no desenvolvimento relacionados ao autismo.        
Por tanto, como já mencionado que se trata de
uma síndrome com prejuízos comportamentais, é través de avaliações clínicas e
conversa com os pais que começa a se estabelecer o diagnóstico. Temos dois
referenciais para diagnostico o CID10 – Código Internacional de Doenças e o
DSM-V – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o usaremos
aqui como referencia.

A tabela a seguir mostra os níveis de gravidade
do autismo e suas classificações:

Tratamento
e Intervenções
Neste ponto, os pais
ou cuidadores, muito já sabem sobre o autismo. Já passaram por várias etapas,
entre elas a angústia do diagnóstico, por isso estes pais ou cuidadores também
devem receber tratamento psicológico para que aprendam a lidar primeiro com
suas angústias e frustrações para assim poder lidar com o autista de uma forma
saudável para todos.
Quanto ao autista, é
muito importante que uma equipe multidisciplinar avalie e desenvolva um
programa de intervenção particular as necessidades de cada indivíduo. Dentre
eles estão: psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais,
fisioterapeutas e educadores físicos.
A AMA-
Associação de Amigos do Autista, aponta alguns métodos de intervenção mais conhecidos e muito
utilizados para promover o desenvolvimento da pessoa com autismo e que possuem
comprovação científica de eficácia. São eles:
TEACCH (Treatment and
Education of Autistic and Related Communication Handcapped Children): é um
programa estruturado que combina diferentes materiais visuais para organizar o
ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a tornar o
ambiente mais compreensível, esse método visa à independência e o aprendizado.
PECS (Picture
Exchange Communication System) é um método de comunicação alternativa através
de troca de figuras, é uma ferramenta valiosa tanto na vida das pessoas com
autismo que não desenvolvem a linguagem falada quanto na vida daquelas que
apresentam dificuldades ou limitações na fala.
ABA (Applied Behavior
Analysis) ou seja, analise comportamental aplicada que se embasa na aplicação
dos princípios fundamentais da teoria do aprendizado baseado no condicionamento
operante e reforçadores para incrementar comportamentos socialmente
significativos, reduzir comportamentos indesejáveis e desenvolver habilidades.
Há várias técnicas e estratégias de ensino e tratamento comportamentais
associados a analise do compormentamento aplicada que tem se mostrado útil no
contexto da intervenção incluindo (a) tentativas discretas, (b) análise de
tarefas, (d) ensino incidental, (e) análise funcional
Medicações
 O uso medicamento em qualquer cenário, não
apenas o autismo, é um assunto delicado. Mas porque é delicado? Porque
medicação não trata alterações de comportamento, digamos aqui ela barra
comportamentos considerados inadequados e/ou prejudiciais ao indivíduo e ao
convívio social. O que trata são as intervenções mencionadas acima. Diante
disso é sempre importante entender o que se espera da medicação bem como seus
efeitos colaterais.
Quanto ao autismo não
existe medicação específica, porém o medicamento é indicado quando existe
alguma comorbidade neurológica e/ou psiquiátrica associada e quando os sintomas
interferem no cotidiano.
 (*) síndrome – s.f. (gr. Syndrome)
Conjunto dos sintomas que caracterizam uma doença(**)
(**)
doença – s.f. (lat. Dolentia, dor). Alteração da saúde que comporta um conjunto
de caracteres definidos como causa, sinais, sintomas e evolução; mal, moléstia
enfermidade.
Fonte: Dicionário da Língua
Portuguesa – Larousse Cultural
Referência Bibliográfica:
Manual
diagnóstico e estatístico de transtornos mentais : DSM-5 / [American
Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento … et al.] ;
revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli … [at al.]. – 5.ed. – Porto
Alegre : Artmed, 2014.
Mello, Ana
Maria S. Ros de, Autismo: guia prático. 5 ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE
2007. 104p.: il.
AMA –
Associação de Amigos do Autista

Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP

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