Hoje a Chris vai analisar o desenvolvimento cognitivo das crianças e seus estágios.
Venham conferir.

Desenvolvimento Cognitivo e seus estágios



Desenvolvimento Cognitivo e seus estágios


Após
analisar como é o processo de desenvolvimento emocional da criança,
analisaremos seu desenvolvimento cognitivo através dos estudos de Piaget. 
       ‪Piaget
propôs o método da observação para a educação da criança, que explicasse como
ela organiza o real. Criticou a escola tradicional que ensinava a copiar e não
a pensar, de forma que, para obter bons resultados, o professor deveria
respeitar as leis e as etapas do desenvolvimento da criança. O objetivo da
educação não deveria ser repetir ou conservar verdades acabadas, mas aprender
por si próprio a conquista do verdadeiro. GADOTI,
2004.
      Assim, foram criados quatro estágios de
desenvolvimento infantil:

Sensório
Motor (0-2 anos):
 

Fase inicial do desenvolvimento da
vida, caracterizada como pré-verbal, constituída pela organização reflexiva e
pela inteligência prática, aonde a criança baseia-se em esquemas motores para
resolver seus problemas, que são essencialmente práticos. Durante esta fase os
bebês começam a desenvolver símbolos mentais e utilizar palavras, um processo
conhecido como simbolização. O bebê relaciona tudo ao seu próprio corpo
como se fosse o centro do mundo. Além disso, a criança vive o momento presente
sendo incapaz de referir-se ao futuro, ou evocar o passado.

Pré-operatório
(2-7 anos):


Esta é a fase que mais teve atenção de
Piaget, pois é caracterizada pela explosão linguística e a utilização de
símbolos. Dada a esta a capacidade da linguagem, os esquemas de ação são
interiorizados (esquemas representativos ou simbólicos), predominando o lúdico.
Prevalece nesta fase a transdução, modelo primitivo de raciocínio, que
se orienta de particular para particular.
A
partir dos quatro anos o tipo dominante de raciocínio é o denominado intuição,
fundamentado na percepção, pois a criança ainda não é capaz de lidar com
dilemas morais, embora possua senso de bom ou mal. Tem a si mesma como ponto de
referência, não sendo possível, ainda, analisar vários aspectos de uma dada
situação.
Nesta
fase, observa-se um comportamento egocêntrico, tendo a criança um papel
limitado e rígido.  Esse egocentrismo
traz algumas manifestações características:
Pensamento
Animista
 
Tendência de atribuir
características psicológicas, como sentimentos ou intenções a eventos e objetos
físicos.
Antropomorfismo 
Que é a atribuição de uma forma humana a objetos ou
animais (nuvens como grandes rostos, por exemplo).
Artificialismo 
Que atribui uma origem artesanal humana a todas as coisas
(a montanha foi esculpida por um homem muito grande).
Finalismo 
Que é a tendência egocêntrica na qual a criança acha que
todos os objetos tem a finalidade de servi-la.
A
consequência do egocentrismo é que a criança apresenta uma incapacidade de
colocar seu próprio ponto de vista como igual aos demais, e assim,
desconhecendo a opinião alheia,  não
sente necessidade de justificar seus raciocínios perante outros.
Aparece
então, a incapacidade de descentração, aonde a criança fixa apenas em um
aspecto particular da realidade, geralmente o dela.
Operatório
concreto (7-11 anos)
Recebe este nome, afinal, aqui a
criança já age sobre o mundo concreto, real e visível. Surge o declínio do
egocentrismo, sendo substituído pelo pensamento operatório (envolvendo vasta
gama de informações externas à criança). O indivíduo pode, desde já, ver as
coisas a partir da perspectiva dos outros.
Surge
então, os processos de pensamento lógico, limitados, sendo capazes de
serializar, ordenar e agrupar coisas em classes, com base em características
comuns, assim, como a capacidade de conservação e reversibilidade através da
observação real (o pensamento da criança ainda é de natureza concreta).
      O pensamento operatório é denominado
concreto, pois a criança somente pensa corretamente se os exemplos ou materiais
que ela utiliza para apoiar o pensamento existem mesmo e podem ser observados.
Ela ainda não consegue pensar abstratamente, tendo como base proposições e
enunciados. Com o desenvolvimento destas
habilidades, aparecem os esquemas conceituais, onde a criança começa a
desenvolver um senso moral, juntamente com um código de valores.
Operatório
formal (12 anos em diante):
Nesta fase, a
característica essencial é a distinção entre o real e o possível, onde o jovem
se torna capaz de raciocinar logicamente, mesmo se o conteúdo do seu raciocínio
for falso. Surge aqui, a determinação da realidade tendo como base o caráter
hipotético-dedutivo, representando a última aquisição mental quando o
adolescente se liberta do concreto. Assim, o jovem é capaz de pensar
abstratamente e compreender o conceito de probabilidade.
Aqui
temos o aparecimento da reversibilidade e sua explicação mediante
inversão ou negação e comparada à reciprocidade de relações.
      Após, a compreensão e o entendimento, de
como a criança se desenvolve, ainda devemos sempre levar em consideração que o
indivíduo é um ser biopsicosocial, ou seja, influenciado pelo meio ao qual
vive, de forma que, se o seu desenvolvimento cognitivo ou emocional esta
acontecendo de forma inadequada a resposta também pode estar na família ou no
circulo social. Por isso, vale observar a criança e/ou o jovem com um olhar não
só de quem quer resolver “problemas de comportamento’, mas de quem quer e
precisa entender “o que esta acontecendo” com ela.
    
REFERÊNCIAS:
PIAGET,
Jean. Epistemologia Genética: tradução Álvaro Cabral, 4ª edição – São Paulo.
Editora WMF Martins Fontes, 2012.
GOULART,
Iris Barbosa. Piaget Experiências básicas para a utilização pelo professor-
Petrópolis. Editora Vozes 1983.

GADOTI,
Moacir. História das Idéias Pedagógicas- Editora Ática, 8ª edição 2004 .

Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP.

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