TDAH – como funciona a mente e o
comportamento de crianças com esse diagnóstico.

Transtorno de deficit de atenção e hiperatividade

Minha mente não
descansa, meu corpo também não. Saio de cena antes que você termine de falar e abandono
o papel antes de terminar de ler o que você escreveu. Caio do chão porque estou
assistindo televisão e meu corpo não consegue ficar quieto no sofá. Olho
fixamente para alguém, vejo seus lábios se mexendo, mas não consigo ouvir nada,
porque minha mente está atenta no mundo ao meu redor!
Christiane Junqueira


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Hoje vamos falar
sobre o famoso  TDAH – Transtorno de
Déficit de Atenção e Hiperatividade, o qual, quem convive com crianças ou
jovens diagnosticados com este transtorno,
sabe o quanto o tratamento diário requer
atenção a mais, entretanto, mesmo com contato diário ou frequente, dúvidas por
parte de amigos, pais, familiares e profissionais podem acontecer, então a
necessidade de procurar por especialistas para fechar um diagnóstico é
indispensável.
Mas antes de explicar o transtorno é
importante esclarecer que, embora a desatenção esteja presente entre eles, nem
todo TDAH apresenta
hiperatividade, ou seja, um indivíduo pode ter déficit de atenção mas não ser
hiperativo, de forma que o TDAH apresenta-se de duas formas: o TDAH
combinado
em que a criança apresenta a hiperatividade e o déficit de atenção
e o TDAH desatento, quando a criança apresenta apenas a falta de
atenção.
Características
O TDAH é um transtorno neurobiológico que atinge
varias partes do cérebro, geralmente causa falta de atenção, desinteresse,
inquietude, impulsividade, se constitui por uma excessiva dificuldade de manter o
foco em uma atividade que exija esforço mental prolongado(muitas vezes evita de
se envolver em atividades com essa característica) afinal, uma vez que o
indivíduo não consegue fixar sua atenção, às informações recebidas se perdem, acarretando
grande dificuldade para começar e terminar tarefas.

Estudos científicos apontam que a área mais
atingida por esse transtorno é a região frontal e suas ligações com o resto do
cérebro.
Outra dificuldade é a de rever situações e
erros, dificuldade de fazer conclusões, síntese e análise de atitude. As crianças com TDAH tendem a ser mais esquecidas,
desorganizadas e perdem-se em tarefas, pois perde rapidamente o foco e
facilmente perde o rumo. Mas não é só isso, também tendem a ter:
– Rendimento escolar e rotineiro mais baixo,
pela dificuldade em manter o foco na aula;
– Comportamento completamente introspectivo;;
– Déficits cognitivos, com prejuízos de
memória, capacidade de organização e interiorização de conceitos e
aprendizagens;

– Dificuldade com regras e limites;

– Problemas emocionais diversos e dificuldade
de socialização com as demais crianças;
– Fácil distração por estímulos externos;
– Facilidade em perder objetos necessários
para as suas tarefas ou atividades;
– Parece não escutar quando alguém lhe dirige
a palavra diretamente;
– Dificuldade em iniciar e terminar tarefas;
As crianças são
tidas como “avoadas”, “vivendo no mundo da lua” e
geralmente “estabanadas” e com “bicho carpinteiro” ou
“ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos
tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas,
mas todos são desatentos.
Já a Hiperatividade
significa um aumento da atividade motora, deixando a mesma quase constantemente
em movimento, como:
– Se remexer ou
batucar as mais ou pés ou se contorcer na cadeiras, até mesmo se levantando em
situações que se espera que permaneça sentado.
– Correr ou subir
nas coisa em situações inapropriadas;
– Frequentemente
não consegue brincar calmamente;
– Fala demais;
– Deixa escapar
respostas antes da pergunta ser concluída;
– Dificuldade em
esperar sua vez;
– Frequentemente
interrompe ou se interrompe.
Tratamento adequado
O TDAH começa na infância. A exigência de que
vários sintomas estejam presentes antes dos 12 anos de idade exprime a
importância de uma apresentação clínica substancial durante a infância.
A criança precisa ser avaliada de maneira
global e interdisciplinar para que os profissionais vejam se há outras
comorbidades e, assim, propor uma intervenção adequada para o devido
tratamento:
– Avaliar a frequência e a
intensidade que estes sintomas aparecem, a duração dos mesmos e a interferência
que eles causam na vida, ou seja, se acarreta ou não prejuízo no funcionamento
da pessoa.
– Avaliar se os sintomas
existem desde a infância ou início da adolescência.
– Avaliar se os sintomas não
estão sendo provocados por nenhum outro transtorno conhecido.    
Somente após esta cuidadosa
análise, é que se pode caracterizar o transtorno, afinal, toda pessoa pode
apresentar um ou mais comportamentos similares aos sintomas do TDAH em algum
momento da vida, sem necessariamente apresentar um diagnóstico patológico.
Seis (ou mais) dos sintomas
apresentados, devem persistir por pelo menos seis meses em um grau que é
inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente
nas atividades sociais e acadêmicas.
Hoje o TDAH pode ser tratado
com a junção dos tratamentos  medicamentosos, tratamentos psicológicos e
alternativos (como tratamentos psicomotores, terapia com artes, tratamento desenvolvido
com os pais e etc). O tratamento medicamentoso, tem sido alvo de  criticas pelo aumento excessivo do uso da
Ritalina, mas nos caso do TDAH ser diagnosticado  entre os especialistas, o medicamento mais
indicado para o tratamento ainda é a ritalina, medicação a qual os efeitos
negativos geralmente são:
§ 
Insônia;
§ 
Perda de apetite;
§ 
Boca seca;
§ 
Tremores;
§ 
Taquicardia;
§ 
E até mesmo o
aumento da ansiedade.
Por isto, tendo em
vista a facilidade de um resultado equivocado, diante de uma avaliação
precipitada, é preciso e necessário, realizar um Diagnóstico
Diferencial
, que irá avaliar as queixas da pessoa numa perspectiva
mais ampla, investigando não apenas a hipótese de TDAH mas também de quaisquer
outras condições que possam estar causando o sofrimento.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MANUAL diagnóstico
e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 / [American Psychiatric
Association; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento… et al.];revisão técnica:
Aristides Volpato Cordioli…[at al.]. – 5. ed. – Porto Alegre : Artmed, 2014.

Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP.

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