Violência não é só bater
“Eu sou o que sou porque meus
pais me bateram!!! Então me explica: Por que  há tantas pessoas no mundo que apanharão e não
tem educação?”
ou
“Calma!! não fizeram nada com
ele/ela, “SÓ” brigaram porque a lição estava errada!!! Então me explica: O que
há de errado em errar? e, Como consertar um erro brigando?    
Christiane
Junqueira    
Vivemos uma cultura tão violenta, que é comum ouvir a fala da primeira frase, em que pais ou responsáveis,
justificam como método educativo/corretivo o ato de bater, assim como também é
muito comum a segunda frase em que
as pessoas se equivocam achando que bater é a única forma de violência,
desconhecendo que há outras formas tão prejudiciais quanto.  

 Violência não é só bater

VIOLÊNCIA FÍSICA

Ato de agressão física que se traduz em marcas visíveis ou não,
aonde o uso da força física é praticado como meio de educar. Muitos pais
ou responsáveis batem em seus filhos porque entendem ser um bom “corretivo”.
Acreditam, como explicado na primeira
frase
, que o fato de terem sido educados de maneira agressiva os tornaram o
que são, e assim educam, esquecendo-se das dores que tais atitudes lhes
trouxeram e ainda carregam consigo.

VIOLÊNCIA FÍSICA – TORTURA

Atos intencionalmente praticados para causar lesões físicas, ou
mentais, ou de ambas as naturezas com finalidade de obter determinada vantagem,
informação, aplicar castigo, entre outros. Acreditem: existem pais que torturam
seus filhos simplesmente porque querem que eles comam e eles não estão com
fome. Recentemente, no segundo semestre de 2017, os telejornais noticiaram a
morte de uma criança de 5 anos porque não queria comer, ela apanhou tanto que
não resistiu aos ferimentos. Triste realidade.  
 
Porém,
até este momento, estamos falando das “famosas”, porém tristes e dolorosas
agressões físicas, que começam com palmadas e em muitos casos vão aumento
chegando a ser fatais. Agressões estas, tidas para muitos como a única forma de
violência.     

VAMOS CONHECER E ENTENDER
OUTRAS FORMAS DE VIOLÊNCIA 

VIOLÊNCIA – PSICOLÓGICA

Relação
de poder com abuso da autoridade sobre o outro de forma inadequada e com
excesso ou descaso. Trata-se de uma violência que humilha,
rejeita, fere moralmente a criança ou adolescente. Envolve a indiferença a
rejeição afetiva. Algumas frases são muito conhecidas, como: “Você é burro!”,
“Você é um inferno na minha vida!”, “Eu ainda vou te matar!”, assim como
colocar a criança de castigo em um quarto escuro ou amedrontá-la de outras
formas. Estas frases e atitudes causam danos que prejudicam o desenvolvimento
psicológico e social da criança.

VIOLÊNCIA – GRITO

Assim
como a violência psicológica, gritos também estabelece com a criança ou
adolescente uma relação negativa de poder, aonde o medo deixa o individuo
acuado, sem ação, causando desmotivação, tristeza, retraimento e comportamentos
depressivos.

 VIOLÊNCIA – NEGLIGÊNCIA/ABANDONO

Caracteriza-se
pelo descaso, abandono, descuido, descompromisso desamparo e
desresponsabilização dos pais ou responsáveis com o que é
essencial ao desenvolvimento sadio dos filhos, que são: descuido com a
alimentação, saúde, higiene, vida escolar, vestuário entre outros e
não estão relacionado às dificuldades socioeconômicas dos responsáveis pela
criança ou pelo adolescente.

VIOLÊNCIA – DISCRIMINAÇÃO

Distinção,
segregação, prejuízo ou tratamento diferenciado de alguém por causa de
características pessoais, raça/etnia, gênero, religião, idade, origem social,
entre outras. Vive-se esse comportamento cotidianamente, mas muitos ainda não
enxergam como uma forma de violência.  

VIOLÊNCIA – TRABALHO INFANTIL

Para
falar de trabalho infantil, primeiramente vou me atentar as questões legais,
como forma de já esclarecer o tema, em que no Brasil segue da seguinte forma:
Ø  não
é permitido sob qualquer condição para crianças e adolescentes até 14 anos;
Ø  para
adolescentes entre 14 e 16 só na condição de aprendizes;
dos cuidados domésticos ou com dos 16 aos 18 anos, as atividades
são permitidas, desde que não aconteçam das 22h às 5h e não sejam insalubres ou
perigosas.
Porém,
é importante lembrar que crianças ou adolescentes submetidos a responsabilidade
dos cuidados domésticos ou com irmãos, ou seja, quando os pais ou responsáveis
transferem a responsabilidade que lhes cabe com a casa e com os filhos a um dos
filhos, que de maneira geral é o mais velho, estão cometendo ato de violência
com os mesmo. os filhos podem e devem ajudar nas tarefas de casa, isso é até
mesmo importante para seu desenvolvimento, porém ajudar, cuidar da coisas
pessoais, é diferente de assumir tal responsabilidade.    
Observação:
o texto na integra é da minha autoria. Foi escrito baseado na minha experiência
trabalhando com Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Doméstica além de
curso realizado sobre a temática. Porém, gostaria de deixar aqui duas
referências muito importantes para pesquisa e para eventuais dúvidas que são:
Ø  ECA
– Estatuto da Criança e do Adolescente.
Ø  Maria
Amélia de Azevedo – grande estudiosa e pesquisadora sobre o tema.

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