Hoje tem um texto da Chris em que ela fala sobre ser uma mãe suficientemente boa para seus filhos. 
Vale muito a pena a leitura.

A MÃE SUFICIENTEMENTE BOA

mae suficientemente boa
Quando um bebê nasce, junto
com ele nasce muitas certezas, mas também muitos questionamentos, dúvidas e
angústias. Mães procuram por respostas e por mais informações que consigam,
nunca é o bastante. Culpam-se muitas vezes e a frustração acaba sendo inevitável!
Mas porque isso acontece?
Porque, toda mãe quer ser “suficientemente boa” para seu filho, suprir suas
necessidades, mas sempre com a sensação de que esta falhando.
Desta forma, vamos entender:
Mas o que é uma “mãe suficientemente boa”?

Essa é uma expressão que foi
usado pelo psicanalista inglês D.W. Winnicott em seus estudos sobre o vínculo
mãe e filho, onde explica que não existe um bebê, e sim um bebê com sua mãe, estes
em um cenário que segundo ele, não é necessário a mãe ter uma compreensão
intelectual de sua função ou tarefas, pois ela está preparada para a mesma, em
sua essência, pela orientação biológica em relação ao seu próprio filho,
implicando mais o fato de sua devoção do que de sua compreensão para que seja suficientemente
boa para obter sucesso nas primeiras etapas da vida do bebê. É exatamente
quando ela confia em seu próprio julgamento que está em sua melhor forma.
Quando a mãe se permite
agir, conforme suas certezas sobre o que é melhor para seu bebe, passa a viver
a plenitude da maternidade, afinal é sentindo-se livre para agir, que
aprimora-se na função materna. O vínculo mãe e filho é muito intenso e o
responsável por trazer ao bebê o ambiente protetor e confiável o qual ele
precisa.
A relação com a mãe,
suficientemente boa, leva o bebê a administrar sua espontaneidade e
expectativas externas, ajudando assim, a formar a mente do bebê. Ela
possibilita a experiência da onipotência primária, base do fazer criativo, pois
a mesma aceita, consciente ou inconscientemente, as expressões do seu bebê como
a fome; os incômodos; o prazer; o desejo. Ela não impõe, permitindo ao filho experiências
nas quais ele é sempre sujeito, desta forma ele crê que ele cria o mundo, sendo
esta a percepção criativa do mundo, a experiência do self, núcleo singular do
sujeito. Winnicott acredita que a localização do self no corpo não é uma
experiência dada desde sempre, mas sim fruto do desenvolvimento saudável,
formando-se o verdadeiro self do bebê.
É importante refletir, que atender
apenas as necessidades fisiológicas do bebê, acreditando que isso seja o
suficiente, é um grande equívoco. Segundo Winnicott, para o bebê tornar-se
sujeito, é imprescindível que o mesmo seja, desde o início, reconhecido como
pessoa e não como objeto. Por exemplo, o bebê não se importa tanto que lhe deem
a alimentação na hora precisa, mas que seja alimentado por alguém que ama
alimentá-lo, assim, o prazer materno nos cuidados é estar realmente presente
nesta relação com o bebê, levá-lo ao seu desenvolvimento pleno, desta forma, se
a função materna não for prazerosa, acontecendo de forma mecânica, o bebê não
se estrutura e definha ou adoece.
Nos primeiros dias, é
através da forma como é cuidado, que o bebê reconhece a mãe, assim como suas
características físicas (detalhes do mamilo, formato de orelhas, sorriso,
hálito entre outros). Com o passar do tempo, o bebê começa a ter ideia da
totalidade da mãe, mas independente do que possa perceber, ele precisa da
presença constante e inteira da mãe, pois esta presença é vital e sem ela,
nenhuma técnica, receita ou conselho serão efetivos.
Sendo assim, num primeiro
momento o amor deve se manifestar de forma física, para poder satisfazer sua
necessidades, fornecendo um ambiente psicológico e primordial para o desenvolvimento
emocional do bebê.  Segundo é ela quem
apresenta o mundo externo, então o bebê passa a perceber que o mundo vai além
da mãe, que existe vida interna e externa, a mãe o ajudará a perceber  que este mundo contém o que é amado e
necessário. O terceiro momento é quando esta mãe que capacitou na criança a
ilusão  de que o mundo foi criado a
partir de suas necessidades e imaginação, terá agora que leva-lo ao processo de
desilusão desse mundo, que constitui um processo mais vasto do desmame  – podendo ser chamado de castração, aonde a
mãe, segundo Winnicott  oferece ao bebê a
possibilidade de desenvolver sua capacidade criadora, podendo assim
crescer  e constituir-se através de
talentos amadurecidos e contribuir futuramente para a sociedade.
Porém o psicanalista deixa
claro que, a mãe não pode privar o filho dela, quando falamos do desmame por
exemplo, sem antes ter significado tudo para esta criança,  uma vez que se mantém o princípio de que o
desenvolvimento emocional do bebe só pode ser consolidado com base na relação
com uma mãe suficientemente boa, pois esta é capaz de se adaptar às
necessidades do bebê para que ele não perceba que o mundo já estava lá  antes que ele tivesse sido concebido ou
concebesse o mundo.
A partir dai, a mãe
suficientemente boa, vai de um modo saudável apresentando o mundo ao bebê,
preparando-o para encontrar um mundo cheio de ideias e objetos a ser explorado.
Segundo Winnicott, o ser
humano que começa a vida sem a experiência de onipotência não tem chance de se
tornar uma peça na engrenagem da vida.     

D.W.Winnicott, “A criança e o seu mundo”, Rio de
Janeiro: LTC, 1982.
Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP.

2 thoughts on “A mãe suficientemente boa

  1. Não sabia que tinha esta expressão "a mãe suficiente boa! Para mim é algo incondicional, o amar, cuidar e proteger.Claro, tem casos e casos. Mas tenho o entendimento de que não exite mãe boa ou mãe ruim. Existe a mãe e pronto!
    Mas gostei do texto!

  2. Realmente, impossível não vincular bebê e mãe…Nunca se pensa nele sozinho.
    O vínculo afetivo, sem dúvida, é fator primordial, para a edificação da saúde física e emocional do ser humano. Ótimo post!

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