Sinusite
não tratada pode levar a complicações mais sérias


Especialista dá dicas para prevenir a
doença de incidência no inverno e que pode acometer crianças e adultos.

Dor ou pressão na face,
rinorreia (drenagem de secreção pelas narinas) amarela ou esverdeada, halitose
(cheiro forte pelas narinas). Pode ou não haver congestão nasal (sensação de
inchaço interno no nariz e face), assim como gotejamento posterior (quando a
secreção drena do fundo do nariz para a garganta).
Os sintomas citados são característicos
da sinusite – “sinus” quer dizer “seio da face” e “ite” infecção. Os seios da
face são cavidades, buracos ou cavernas dentro dos ossos do rosto preenchidos
de ar e revestidos por uma camada fina de mucosa, como se fosse um carpete.
Eles existem para dar leveza aos ossos da face.
“Os seios da face são os maxilares,
etmoidais, esfenoidais, frontal. Em geral, o adulto possui todos estes seios
formados e presentes. Já na criança é distinto, pois estes só irão
aparecer em diferentes idades de vida”, conta Jeanne Oiticica, médica
otorrinolaringologista, otoneurologista e chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. A especialista
explica que, em geral, ao nascer, o seio maxilar e o etmóide já existem, mesmo
que rudimentares. Eles crescem e se desenvolvem paralelamente ao
desenvolvimento da criança. O seio esfenoidal aparece na primeira
infância. Já o seio frontal surge por volta dos 20 anos de idade, mas pode
estar ausente ou não se formar em alguns casos.
A sinusite pode ocorrer tanto
em crianças quanto em adultos, mas é mais prevalente em adultos que
já possuem todos os seios da face prontos e formados, do que
em crianças que nascem com estruturas rudimentares que só vão
desenvolver por completo em concomitância com o crescimento da face. “É difícil
a criança se queixar de dor até porque a capacidade que tem de se
expressar é mais limitada, em geral percebe-se a rinorréia amarela ou
esverdeada e o mal cheiro, podendo ou não estarem acompanhados de obstrução
nasal (neste caso percebida pelo fato da criança ficar de boca
aberta, já que não consegue respirar normalmente pelo nariz)”, detalha a
médica.
O tratamento é feito com antibióticos,
antiinflamatórios, corticóides, descongestionantes por via oral, além de
lavagem nasal com soro fisiológico 0,9%, descongestionante nasal tópico e
sprays nasais. Em casos crônicos, persistentes ou recidivantes, a cirurgia pode
ser indicada para drenagem das secreções, abertura, correção de bloqueios e
ampliar a ventilação dos seios da face.

Prevenção

 A sinusite, em geral, ocorre de
forma secundária, ou seja, é decorrente de outras doenças associadas como
rinite, gripes, resfriados, alergias. A prevenção ocorre tratando-se e
controlando a rinite, as gripes, os resfriados e os quadros alérgicos. Isso
inclui lavagem nasal diária com soro fisiológico 0,9%, sprays nasais tópicos,
vacinas, imunomoduladores (medicamentos que melhoram a imunidade), imunoterapia,
antialérgicos, entre outros.
“A sinusite não tratada pode
levar a complicações mais sérias. 
A infecção pode migrar para estruturas
nobres vizinhas como olhos, cérebro, meninges, por exemplo. Celulite palpebral
(edema e obstrução das veias das pálpebras), abcessos (pus que se acumula entre
o globo ocular e o osso da órbita), tromboflebite e trombose (inflamação e
obstrução de veias importantes do crânio), também podem ocorrer. Sepse e até
morte são mais raros, mas devem ser citados”, disse a especialista.
Nas estações do
outono e inverno os cuidados devem ser redobrados, já que estamos todos
expostos a baixas tempraturas. A otorrinolaringologista explica que o frio
reduz o batimento mucociliar (sistema responsável pela limpeza das impurezas do
nariz), como se o filtro nasal ficasse lentificado, o que facilita a aquisição
de agentes infecciosos mais facilmente no ambiente.

“O frio também reduz
a liberação de imunoglobulinas, que são proteínas de defesa, anticorpos. Além
disso, no frio ficamos todos aglomerados, o que favorece o contágio e a
disseminação de doenças”, alerta Jeanne. (Com Assessoria de Imprensa).

Texto do Blog Papai Educa
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